quinta-feira, 3 de dezembro de 2009




segunda-feira, 23 de novembro de 2009

jardim dos sonhos

colhi uma flor-
poema
no seu canteiro
de versos

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


quinta-feira, 12 de novembro de 2009











quinta-feira, 5 de novembro de 2009

menos é mais

menos poder
e
mais prazer
menos saber
e
mais sabor
menos louvor
e
mais lazer

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

alvos ao tiro


não há peças
de encaixe
módulos no chão
esparramados
não há alvos
que se acerte
nada é certo
nada é
certo é resistência
é constância
não há razão
e tolerância
para quem chega
atrasado
dia atrás
do outro
...
o mundo gira
é fato
mas translada
do outro lado
(noite noite noite
nada dizem
as estrelas!?)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

nenhum lugar


a cidade
esqueceu

das origens


e perdeu
o tombo

na solidão
dos registros sem história.



nenhum lugar
é aqui
:
o tempo inventou
a paisagem

e se desfez
nos escombros
dos edifícios centenários.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

me-dito

submeto-me à mim mesmo
depois me dito: descrevo
o meu avesso

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

vigília


nos pequenos
vãos
das grades
vão-se
grandes desejos
universos relativos
e todas as
vãs
tentativas
de se alcançar
as chaves
:
viver é ser
prisioneiro do mundo

terça-feira, 29 de setembro de 2009

a perpetuação da espécie

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

a constelação do desejo


a Via Láctea desemboca no
Nilo - crocodilo
de dentes estelares - quasares
pulsam nos ares de anos milhares
passados
incompreendidamente.

reflexo do céu, as pirâmides
sesmariam o brilho
das Três Marias:

Queóps perfura pontualmente
o cinturão de Órion
dividindo imaginariamente
a Terra do lado sul.

longe do Sol
teus olhos me iluminam...

(tudo faz sentido quando
no silêncio da ciência
- organicamente -
nossos corpos se atraem
no impulso do desejo).

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

fimdetarde

embaixo do cipreste
o banco de concreto
(em ângulo reto ao jardim)
suporta
em obtusa geometria
a poesia escusa
no declive da idade

pelas frestas da grade
o odor do jasmim
substitui
as palavras do poema
que na tarde
se perdeu
evaporado.


sábado, 12 de setembro de 2009

a negra lã da ovelha



1.
saudar
as ovelhas

pastando

(: o gesto
em riste

do passante).

ignorar
o pastor

em vigília

(: ortodoxia
claudicante).


2.
em negra
essência

(o passante)

não nega
suas impressões

de existência

(dada o rebanho
: errante).


3.
alinhavar
os fios de lã

e compor
o tecido

do gesto
incompreendido
:
eis a missão
dos que ainda

não teceram
a ciência da grama

nem a consciência
da liberdade.



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

a sombra é uma fuga...


do terraço
vejo o sol

não o sol
redondo

do caderno
de desenho (: sol com feição de sorriso
e cabelos de brilhos espichados)

vejo o sol
:
queimando
a terra

secando
o sangue
escorrido

nas multifaces
de um mundo
descomedido

sábado, 5 de setembro de 2009

o olhar de Marte


ver
pelo avesso
do mistério

com olhos
de sol
sorrindo

o clarão
dos enigmas
se dissipando
:
decapitar
o profundo
e povoar oceanos
:
abrir
as janelas
e saltar escuros
:
romper
a história
e demolir muros

(porque
crer no dia
é enxergar além
da noite)

citação:

as estrelas guardam
o broto das manhãs
(aqueles olhares alhures)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

esfinge







sexta-feira, 28 de agosto de 2009

você

você
me cheirou

como
um animal
:
fechou
os olhos

salivou
o desejo.

mas era
(apenas)

aprovação
do perfume

e não eu
feromonizando

suas narinas
no cio.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

dadivadavida

amor
pa
re
ce
a
dor
pa
re
ce
amor
in
trans
fe
rível
in
trans
po
nível
in
com
tro
lável
in
com
pre
en
sível
amor
dor

diva
da
vida

terça-feira, 25 de agosto de 2009

fim de tarde


observo o tempo derretendo o espaço
como um relógio disforme
no universo surreal de Dalí.

atrás dos óculos da idade
transforma-se o tempo
num cenário analógico e obtuso
de uma praça londrina.

o fog envolvendo a dor e o desejo
neste fim de tarde cinza
impede a visão dos ponteiros.

o dia, eterno prisioneiro da noite
morre
a vida, eterna prisioneira da morte
vai passando
com o tempo mal medido...

tudo decresce e nunca extasia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

a roda e o eixo

a roda roda
no eixo
sem desleixo
a roda roda

sobre a terra
sobre a pedra
sobre o seixo
roda a roda (no eixo)

como a terra no eixo roda
roda a roda, rodamundo
dia e noite no eixo roda

roda altiva roda –
roda-viva, movimento

sem eixo ainda roda –
roda morta,
rola
m
e
n
t
o

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

novo blog


regna naturae (http://regnanaturae.blogspot.com)
poemas, história e mitos sobre os seres
O Zoopoesia michou! A globo.com quer cobrar pela hospedagem. Daí criei o blog acima.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

os últimos serão os primeiros

terça-feira, 18 de agosto de 2009

hemisférios

1.
meu hemisfério
esquerdo

descreve
a cadeira

e sua função
: senta, gira

desliza
sobre rodas

(desloca-a direita
diretamente).

2.
meu hemisfério
direito


a cadeira

e sua ontologia
: respira

profundamente
recostado

aos seus verdes
pés.

3.
na linha
sagital

(o equador
vertical)

: me mantenho
equilibrista –

os dois pés
sobre o assento.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

fragmentos

5.

eu
vivo
do
futuro
correndo
do

outro lado


(do muro)

6.

comamos agora
a nossa maçã e transemos
em vídeo-tape
(amanhã)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

fragmentos

3.

não pense
meu amor
que eu não sinto
a mesma dor:

meia palavra
de bosta basta
pra um bom
entendedor


4.

hoje: não tenho nenhum
compromisso
amanhã (ou depois)
:eu penso nisso

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

fragmentos

2.

fundo a cuca nesta vida
maluca
só pra te dizer que não

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

fragmentos



1.
minha vida
                    mais in-
crível
nunca foi
                 pos-
sível
em minhas mãos:
faltou coragem coragem
           coração

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

crepuscular

meia-noite
não é dia
nem noite
:
é hora
de tecer
a madrugada!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

resto

o lixo
vasculhado
amostra

papéis embolados
às dezenas

não mostra
o que sou
mostra

o dia perdido
o poema reprimido
a fuga de Mecenas